Meus hábitos de leitura

novembro 7, 2014 § Deixe um comentário

2014 está acabando e percebo que este foi o ano que menos li desde que comecei a anotar os títulos dos livros em meus cadernos todos os anos. Um total de 16 títulos, sendo que destes muitos poderiam não estar lá, pois foram lidos parcialmente, ou por motivo de trabalho.

Este ano li A Besta Humana de Émile Zola e O Cortiço de Aluízio de Azevedo e O Cheiro do Ralo (de uma sentada só! – muito parecido com o filme). Todo o resto foram releituras ou não ficção como Dias de Feira do Júlio Bernardo e Pavões Misteriosos do André Barcinski.

Quando eu trabalhava na livraria, lia de 3 a 5 livros por mês, o acesso e a oferta eram muito fáceis. Mas a frustração constante de não encontrar nada que me agradasse, que não julgasse um belo exercício em perda de tempo, me fez abandonar muitos de meus hábitos de leitura uma vez afastado deste ambiente.

Sempre achei livro muito caro, ou melhor, um valor além das minhas despesas. Mas livros são objetos extremamente acessíveis, é fácil encontrar títulos aleatórios de graça ou muito barato em qualquer lugar. Por isso eu sempre acabei lendo coisas que caiam em minha mão… e saindo com um gosto amargo na boca.

A maior parte dos livros que li foram em ônibus. Dificuldade de concentração em casa, sonolência aguda,  poucos intervalos entre uma coisa e outra… fones de ouvido (estes são o principal concorrente de minha leitura fora de casa, mas prefiro ler a ouvir musica em um ambiente com muito ruído). O ônibus acabou se tornando um ambiente privilegiado para leitura pois eu sempre sabia quanto tempo teria para terminar aquele capítulo, que não encontraria ninguém conhecido -só às vezes. Meu ritmo sempre foi um capítulo na ida, um capítulo na volta. Quando estes eram curtos ou compridos demais era preciso improvisar. Mais um capitulo na pausa do almoço. Isso acaba de mudar, pois vou de carro para o trabalho.

Terminada a leitura, escrevo no caderno e uso a seguinte notação:

++           muito bom

+             bom

–              ruim

—             muito ruim

Difícil anotar livros muito ruins, pois abandono a leitura rapidamente, sem pudor, e largo o livro em algum banco na rua, com pena da próxima pessoa que vai encarar aquilo. Felizmente apago da memória titulo e autor, e não saberia dizer aqui qual foi o ultimo livro que fiz isso, apenas a imagem da capa restou, por enquanto.

A Besta Humana e O Cortiço foram, para mim, livros absolutamente fantásticos, inacreditáveis. Tão bons que me dou por satisfeito serem estes as novas narrativas que conheci este ano. No resto do tempo, eu pegava um capítulo de Extensão do Domínio da Luta ou Partículas Elementares para saciar a coceira por uma boa literatura.

Este ano vi muito poucos filmes também, apenas 30. Séries de TV eu não consigo mais. Não dá mais pra mim, acho tudo um saco… assisti apenas alguns episódios de Louie e Game of Thrones “ao vivo” na HBO.

Com dois  ++ apenas os filmes RUSH, Frances Ha, Le vent se lève, T.S. Spivet, Super 8, Tim maia e Jersey Boys.

O que cresceu bastante foram os videogames e os CDs. Fim do ano passado vendi o XBOX e comprei um Nintendo 2DS e um Nintendo WiiU. Pra não pesar no orçamento, vendi muitas coisas no mercado livre e outros fóruns, vendi CDs raros que estavam com preço alto, coleções que não me interessavam mais. Assim, com um baixo investimento me tornei um consumidor de produtos originais, desenvolvendo uma relação muito mais afetiva com cada jogo. Com muito mais satisfação que eu tinha com o Xbox destravado e mil jogos à disposição. Melhor jogo este ano para mim foi The Wonderful 101.

Nos CD’s aumentei violentamente a quantidade de discos de minha coleção de MPB, o maior êxito foi a quadrilogia dos discos do Sérgio Sampaio. Em um golpe de sorte ganhei o Bloco na Rua o Cruel uma vez só e corri muito pra encontrar o Sinceramente que estava esgotado. Bandas novas que fiquei muito fã são o Fauve e o Cérebro Eletrônico. Quando vem algum adesivo, colo também no caderno.

Se li poucos livros, li muitos blogs, li muito sobre política, li muita manchete na internet. Este ano eleitoral, logo depois de um semestre marcado por protestos em todo os lugares, mudei alguns de meus hábitos para acordar e ligar a rádio para ouvir as noticias, sair do trabalho e sintonizar para ouvir os comentários. No terminal de ônibus pegar os jornais diários para saber o que era destaque. Foi uma frustração muito grande para mim, com tudo que tudo que vi, li, acompanhei, discuti… o resultado das eleições com a reeleição de Alckimin em SP, Pezão no Rio e Dilma Roussef no País. Nos principais pólos de protestos que moveram o país de junho 2013 à copa do mundo 2014 não mudou nada. Agora abro uma notícia, um blog, me pergunto se vale a pena acompanhar a política.

 

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