dezembro 10, 2013 § Deixe um comentário

Entro no banheiro. O azulejo frio sob meus pés me tranquiliza, existem mesmo coisas imutáveis neste mundo, que são incapazes de chorar e que podemos colar com cimento. O azulejo possui uma utilidade definida, ele serve para se colocar no piso, nos muros, chegando até aos tetos. Mesmo colado sozinho ou junto a milhares de congêneres, ele será sempre frio. As únicas coisas que podem mudar isso são os meus pés e a temperatura do aquecedor.

Não se costuma falar do destino dos ladrilhos partidos ou quebrados, eles são rejeitados, massacrados pela eugenia industrial; para eles, ao menos, não damos esperanças de que terão, apesar de tudo, um lugar para ir, um banheiro de reabilitação.

Eu adoraria ter esse tipo de psicologia fisiológica; feliz quando está calor, triste quando está frio. Certamente eu gastaria muito dinheiro para me manter aquecido, mas seria uma vida mais feliz se meu humor não dependesse mais de fatores tão volúveis quanto o amor, a atenção, o destino da humanidade.

(tradução inédita do livro Une Parfaite Journée Parfaite, Martin Page. Points, p.12)

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