OS DISCOS QUE MAIS CURTI EM 2012 – PARTE 1

dezembro 25, 2012 § Deixe um comentário

discos2012

CHOICE OF WEAPON

O melhor disco de rock de 2012 foi o Choice of Weapon do The Cult. Coloca ele no topo desta lista a maneira com que ele consegue se comunicar com diferentes vertentes e extremos da música pesada. É um disco de classic rock, é um disco de heavy metal e é um disco de música pop. O The Cult é uma banda veterana que nunca foi muito grande, nem muito underground. Surgida nos anos noventa, nunca conheci nenhum fã fervoroso da banda, mas ela estava sempre lá; Fato que eu nunca fui fã do Cult, do grunge, nem dessa escola de musica tipo The Doors. Cliquei no vídeo de For The Animals sem nenhuma expectativa. Baixo distorcido, vocais de gangue no primeiro verso, piano no segundo, a letra que eu ainda não sei do que se trata, cheia de frases de efeito, ficou na cabeça e procurei ouvir o disco inteiro. Honey From a Knife abre o disco como uma convocação para um show muito louco, mais uma vez com os vocais graves Ian Astbury e backing vocais gritados – we’ve got the drugs, the drugs in here – uma melodia de falsa inocência contrastando com a atitude bad-ass jaqueta de couro da banda. Elemental Light é um mantra low-tempo onde Ian mostra o quão bom vocalista ele é. De fato, muito melhor nesse disco que eu qualquer gravação anterior que eu tenha ouvido. Ouvi na Kiss FM uma musica e por pouco não reconheço que se tratava da mesma banda, mas gostei do que ouvi. Procurei então a coletãnia Pure Cult para me inteirar melhor do que eu perdi nas ultimas décadas. Acho que o novo material da banda é muito superior ao que foi feito antes. Musicas como The Wolf trazem a mistura perfeita de timbres, melodia, atitude e composição que a banda parecia ainda construir nos anos 90. Life > Death é uma balada lindíssima com letra forte; you can’t destroy them, the beauty and the youth, you’ll never be them you’ll never hide the truth. Mais um destaque num disco que não tem musicas ruins. Pale Horse também chama atenção pela introdução country, vocais Johnny Cash/Danzig e refrão pegajoso –os caras são muito bons nisso- Bob Rock assina a produção do disco, nome que é sinônimo de qualidade. Um disco definitivo, em minha opinião disparado o melhor que a banda já fez e recheado de músicas que vão estar em todos os shows nos próximos anos. Mais um comentário importante, o disco foi lançado no Brasil porém eu não recomendo a compra. Comparado com o pacote importado, a apresentação do disco foi destruída. No original, além da caixinha em papel grosso, laminado, o encarte em estilo digibook é muito bonito e acompanha um EP de quatro músicas. A versão nacional veio em jewelbox simples sem músicas bônus e a arte do encarte foi amassada para caber em menos páginas, vergonhoso.

ADDRES THE NATION

Um feito raro realizado por essa banda sueca: evoluir e aprimorar seu terceiro (e melhor) disco após uma mudança de vocalista, o muito carismático Erik Grönwall. Com um rosto de 17 anos e cantando muito!! Na capa do disco, ele se senta ao centro, junto com um grande cachorro e tênis All-Star com seus parceiros de banda num visual glam oitentista ao fundo. No encarte uma marquise informa: Ingressos Esgotados. Os moleques tem atitude. Breaking The Silence “quebra” o silêncio com um rock de arena que faria Bon Jovi sentir saudades dos velhos tempos. Living on The Run – a musica do primeiro clipe – tem um grande refrão e efeito chiclete. O álbum não possui faixas fracas, até a balada The One and Only surpreende, In and Out of Trouble possui um inesperado saxofone. Das dez faixas apenas Need Her não gruda, é genérica. O fechamento com Downtown tem atmosfera interessante. Better Off Alone e Heartbreaker são as mais pesadas mas sem perder os refrões marcantes. Em 2012 tivemos ótimos lançamentos de Hard Rock: Eclipse com Bleed & Scream, JeffScott Soto, Jimi Jamison, Dynazty, Sunstorm, Houston, Pride of Lions, Ten, Magnum e por que não falar do Van Halen e do KISS – mas Address the Nation do H.E.A.T. foi o melhor destes, exemplo de como fazer um disco enxuto e eficiente. Ainda não dá para dizer se o H.E.A.T. Vai ser uma grande banda, mas eles estão preparados para isso.

DARK ROOTS OF THE EARTH

Testament ganhou muita moral com seu novo disco, aparecendo em quase todas as listas de melhor disco de metal do ano. Dark Roots cumina a volta do Thrash como gênero mais empolgante do Metal, resultado dos grandes lançamentos que o gênero tem recebido nos últimos anos. Ouvir musicas como Native Blood e True American Hate é tão empolgante quanto ouvir Arise, South of Heaven, Rust In Peace pela primeira vez. Não é apenas o melhor álbum que o Testament já fez; o flashbeat de True American Hate é um dos melhores momentos já registrados da música pesada, com os vocais mais agressivos desde The Great Southern Trendkill. A Day in The Death, puta música com forte mensagem política e rítimo mais cadenciado e melódico. A faixa título é experimental e épica. Rise Up deve se tornar obrigatória nos shows da banda; uma técnica do hip hop foi endemonizada para o refrão,When I Say Rise Up – You Say War. RISE UP – WARR!!! Não vai ter uma garganta na plateia que não grite junto. Native Blood já é a música definitiva da banda, recebeu clipe muito bem dirigido e versão em espanhol. Dado o volume de vendas do disco esta música deve permanecer na cultura do metal como um dos seus mais fortes hinos de liberdade e revolta, principalmente para o povo latino-americano.

Cold Embrace insere variedade no repertorio, ainda que o refrão lembre o Metallica de Fade to Black de uma maneira que eu não sou muito nostálgico. Man Kills Mankind recupera a pegada, mas junto com Throne of Thorns e Last Stand For Indepence são boas faixas que não fazem nada marcante como as 5 primeiras. O primeiro dos motivos que não coloco este disco mais pra cima. O outro seriam que as faixas bônus, covers do Queen, Scorpions e Iron Maiden funcionam como uma boa brincadeira mas quebram o feeling épico do disco. Se a ideia era gravar covers, talvez recuperar alguma faixa do início da carreira ou de bandas da mesma cena fizesse mais sentido. Porém, com o tempo total de 76 minutos de duração, o play é mais longo do que precisa ser, ficando difícil de apreciar o disco inteiro de uma vez só, algo que gosto muito de fazer. A duração perfeita de um disco para mim é a de 40 minutos e poucos, coincidência ou não, o tempo de um disco de vinil. Não se deve deixar de falar que a produção, gravação e masterização é assinada por Andy Sneap, O MELHOR produtor de Heavy Metal no mercado. A Laser Company fez um excelente trabalho na versão nacional do disco com impressão de primeira, encarte gordo, todas as faixas bônus, DVD e preço.

TEM QUE ACONTECER

sergipsampaio

Colocar uma reedição em uma lista de melhores do ano é uma escrotidão porque os artistas atuantes tem que brigar com 50+ anos de rock’n’roll. Mas esta é a lista do discos que EU mais curti em 2012 e este só não está mais acima para não afetar a minha credibilidade (qual??). Aproveitando o ensejo, o premio reedição vergonhosa vai para Ziggy Stardust 40 anos e Machine Head do Deep Purple, (todos de 72) que só tiveram o mínimo de qualidade nos pacotes de luxo. A versão simples dos discos são envelopinhos feitos sem nenhum amor. Voltando ao Sérgio Sampaio, nesse disco o compositor se liberta do tropicalismo de Quero Botar Meu Bloco Na Rua e traz mais sambas e boleros. É seu disco de maior identidade e a faixa título é simplesmente um trem de emoções na voz do compositor (Zeca Baleiro que me perdoe, mas ele passou longe de capturar o espírito da musica). Esta edição do disco traz o som tão cristalino que é possível perceber o humming do microfone e o eco da sala de gravação. A reedição foi dirigida por Rômulo Fores – obrigado, cara! – para a série Discobertas e possui três ótimas faixas bônus de compactos da época, com destaque para Historia de um Boêmio; e não me deixe terminar sem falar que Velho Bandido é uma das melhores musicas já escritas desta musica popular brasileira.

BICHON

Bichon – terme amical, terme affectueux, famillier, terme d’amitié adressé aux petits efants. Explica a caixinha do CD. Julien Doré é uma figura pouco convencional. Surgiu como vencedor do Nouvelle Star (um tipo de programa Ídolos francês muito criticado no país) cantando rock americano e gravou um disco confuso em 2008, sem influencias rock, entrando de leve na música popular francesa. Com seu segundo trabalho, anos-luz superior ao 1º ele extrapola sua figura tragicômica em belas canções com uma voz que parece capaz de cantar qualquer coisa. Tive o grande prazer de assistir seu concerto no Trianon de Paris, 19 de maio, onde ele cantou quase todas as musicas do novo disco, mais algumas músicas do primeiro como a ótima Les Limites e do EP com músicas em inglês lançado junto à Bichon. Baie des Anges abre o show como abre o disco, num ritmo crescente e teatral. No mesmo estilo temos Golf Bonjovi, com um super refrão, Gleen Close e Bergman – os nomes destas musicas já indicam que não se deve levar o cantor muito a sério. Esta faceta cômica fica mais expressa nos hits Kiss Me Forever, L’été Summer e Laisse Avril, duas das quais viraram divertidos videoclipes. O Som do disco é simples e muito agradável com batidas eletrônicas bastante graves em todas as faixas e sem nenhum instrumentista tentando roubar a cena (apenas Yvette que toca acordeon na cômica Homossexual e aparece com sua figura bizarra no encarte). É enfim um disco de cantor, apaixonado pelo que faz e por seus fãs. Um sujeito que sabe conduzir um show com diferentes momentos e interação com seu público – se Françoise Hardy houvesse subido no palco para cantar BB Baleine como faz no disco seria enfarto na certa. Recomendo que se escute também Eletric Guest (a musica This Head I Hold está num comercial de Shampoo!!) um outro grupo que assisti durante a viagem, com um pop eletrônico parecido com o General Eletriks, e destaque para a música Troubleman de seu disco Mondo, e o Mayer Hawthorne com o ótimo soul-pop de How Do You Do.

STALINGRAD

accept

A sequencia do melhor disco de Metal da década tem muito do seu antecessor mas não alcança o mesmo nível de composição. Produzido novamente por Andy Sneap o disco soa pesado e limpo ao mesmo tempo, timbre fortes de baixo e guitarra que são marca registrada do Accept. Saído pouco tempo depois de Blood of The Nations as comparações são inevitáveis. Hung Draw and Quartered é uma versão mais fraca de Beat The Bastards Down, principalmente pelo refrão difícil de pegar, mas possui um grande solo de guitarra. A segunda faixa não se compara à Teutonic Terror do disco anterior e poderia estar mais para trás na ordenação do disco. Temos uma pequena impressão de estar ouvindo B-Sides. Hellfire aumenta o nível da coisa com seu empolgante “UHH!!” aos 48 segundos e riff marcante. Flash to Bang Time é muito rápida e energética com um puta Bridge/Chorus. Seguida da mais lenta Shadow Soldiers o disco cresce a cada fixa passando por Revolution, a pop Against The World, a climática Twist of Fate e o grand-finale The Galley. A banda trabalha em território conhecido porém não cai na repetição e cada refrão tem uma fórmula ou estrutura diferente. Algo que beneficiaria muito o Grave Digger, outros alemães que lançaram disco este ano. Se você gosta do estilo, ouça também o disco do Rage (21), Primal Fear, Sabaton, Iron Savior, Doro, Devil’s Train, Jorn e o disco do segundo guitarrista do Accept; Herman Frank – Right in The Guts. E não posso deixar de falar do Manowar, que lançou um disco de maneira confusa mas que vai alongar ainda mais o set-list da banda ao vivo.

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