Comentarios sobre o livro e o filme A Invenção de Hugo Cabret.

março 17, 2012 § 1 comentário

Já passado o oscar e o bafafá dos livros que deram origem aos filmes candidatos, depois de vender centenas de copias do Homens que não amavam as mulheres, comecei a captar comentários sobre Hugo Cabret. Uma história muito bonita, com toques de contos de fada, em um cinema 3D perto de você. Também chegou na livraria uma grande quantidade do grosso livro publicado pela SM – casa conhecida por publicação de material didático.
Me interessei pelo formato tijolão do livro, com paginas pretas e muitas, muitas ilustrações. Folheando, percebi que as imagens não serviam para ilustrar o texto, mas como próprio recurso narrativo, como uma graphic novel – levei o livro pra casa.

A tradução é créditada à Marcos Bagno, autor de Preconceito Linguístico, fiquei aliviado ao ver que o texto estava em clara norma culta do português; a leitura flui rapidamente e matei 200 paginas na primeira sentada – mode as ilustrações, claro. Apenas uma coisa atrapalhava, a edição da SM caprichou no preço, mas este livro claramente pedia um encadernamento de custura, e não de cola como foi realizado. Isto porque todas as ilustrações são de pagina dupla e o grosso volume não tem flexibilidade para abir o livro sem destruí-lo. Algumas das páginas sofrem muito com isso.

Por acaso, no dia seguinte chegou na livraria a publicação americana pela editora Scholastic Press e nela vemos como o projeto editorial foi bem pensado em sua origem. Além da capa dura e sobrecapa, o livro possui uma abertura de 180º sem prejudicar a costura. Nota 10 pro projeto.


Quanto à história do livro é algo que eu vou recomendar a todas as crianças. Ela valoriza a inteligência, amizade, os livros e especialmente ao cinema. Além de Hugo, o personagem que move a trama é uma versão imaginada de Georges Meliés, cineasta da virada do século e colecionador de automata (bonecos mecanicos construidos com os principios da relojoaria). Os nós da trama ficam frouxos no final, mas nada que comprometa a experiencia para os jovens leitores.

Como se trata de um livro para crianças, imaginei que o filme seria uma experiencia muito melhor, pois não estava sendo com um ar mais maduro, alem de ser dirigido por Scorcese. Mas eles tiraram alguns elentos-chave da trama por motivo nenhum! Por exemplo, o conflito dramático entre Hugo e a garotinha no filme é totalmente abandonado. No livro, Hugo mantem sua história em segredo até onde consegue, enquanto no filme quando a garota pergunta “onde você mora?” ele a leva direto para seu esconderijo! No livro, Hugo aprende truques de mágica e com essa habilidade consegue roubar a chave amarrada num colar da menina sem que ela perceba, pois ela se negava a entregar a chave ou dizer onde a conseguiu. Mais tarde, descobre-se que ela roubou a chave de sua avó, e é acusada de ser uma ladra do mesmo nível de Hugo; isto foi muito forte no livro e é uma pena que tenha sido cortado por uma realação tão simplória.


Mas há alguns problemas no livro que foram melhorados no filme, como o motivo de Melíes ter desistido do cinema – que não convence no original. De fato, a ultima parte do filme consegue amarrar melhor os nós da trama e a sequencia de bastidores e imagens de filmes antigos é emocionante. Vale também lembrar, como o próprio autor nos previne, que o Meliés retratado não condiz com a vida real e que nada na trama deve ser considerado como fato historico. Dito isso, o filme incita a curiosidade para pesquisar mais sobre os primorios do cinema e outras obras de Meliés. Também gostei do personagem de Bora… digo, Sacha Baron Cohen que é muito mais assustador, e muito mais engraçado do que no livro, roubando por isso mesmo muito espaço de filme com cenas que não estão presentes no original. Também mostra que ele não ficará preso aos personagens grosseiros e desagradáveis que o fizeram famoso.

Fica apenas uma grande pergunta no ar; qual é a invenção de Hugo Cabret mesmo? dou chocolates a quem responder…

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§ Uma Resposta para Comentarios sobre o livro e o filme A Invenção de Hugo Cabret.

  • Flavio Salles disse:

    Hugo Cabret devolve a vida a mais complexa máquina já existente. A máquina humana. Neste caso, a dele mesmo e a de George Melies.

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