Narrativas de sexo e arte – o livro de praga

dezembro 17, 2011 § Deixe um comentário

Três coisas me motivaram a ler este livro

-meu irmão esteve este ano em praga e foi a cidade que mais gostou de visitar

-livro faz parte da coleção amores expressos e a capa é linda

-é um escritor brasileiro que eu nunca li

 

 

 

 

 

 

 

 

“Nestas reflexões sobre amor e arte, Sérgio Sant’Anna se dedica a uma modalidade particular de crítica de arte: uma indagação de caráter metafísico que funde a experiência erótica à busca do sentido da arte”

Pura abobrinha; no livro não existe reflexão nem caráter metafísico, é um texto muito simples, apenas ilustrativo, escrito de maneira tão comportada que sequer transparece a personalidade do autor. Ser dividido em Narrativas também não ajuda. São 7 histórias que se passam em praga, e em todas elas o narrador come alguém, simples.

Eu gostei! posso dizer… apenas estava esperando algo diferente modo foi apresentado o livro. Na primeira narrativa fui pego de surpresa no que se tornou um verdadeiro conto erótico – daqueles que se lia na internet em tempos anteriores à banda-larga – causando certo enrijecimento inapropriado ao local onde eu estava. Na segunda narrativa, ou conto mesmo, algo estranho aconteceu; após o ato sexual não resta muito a dizer, certo, pois atingimos o clímax. Mas ainda haviam 7 páginas para o fim; o que o autor poderia estar guardando? Mais uma surpresa! As narrativas não eram independentes, nestas páginas finais Sant’Anna transfiriu o clímax do gozo para o encontro com um objeto da primeira narrativa; então tudo estava conectado – oOOOHH!!!

Só que este Oh! inicial passa e o que fica é um escritor indeciso e um projeto de livro remendado. Já que um mesmo personagem é retratado em tão curso espaço de tempo, por que mascarar a estrutura do livro em diferentes narrativas? Isto apenas derruba a verossimilhança ao chão, pois não existe continuidade, e a forma que o autor liga um conto ao outro parece improvisada; feita depois de ter pensado nas narrativas tipo “ok, agora preciso pensar numa forma de ligar uma historia à outra” –  Cito sempre o livro Cordilheira como exemplo de um plano de narrativa redondinho e bem executado, onde o autor sabe onde nos leva desde o início  – Em O Texto Tatuado a inspiração parece estar querendo voltar pra casa, as primeiras paginas são uma chuva de clichés de livros policiais e  conexões com as narrativas anteriores até a idéia original do conto (erótico) engatar, sem abandonar explicações esdrúxulas para as motivações dos personagens. Nesta narrativa a primeira frase é insuperável:

Eu estava sentindo a necessidade de anonimato e solidão e resolvi espairecer o espírito em um bar chamado A Dançarina.

Noooossa, realmente um bar é o ultimo lugar onde algo pode acontecer; a isto segue o personagem misterioso que diz “tenho algo a lhe propor”, “o senhor não passa despercebido” e “há uma corrente de informações que se veiculam subterraneamente na cidade”. Ok ok, já estou desistindo de ler…

A ultima narrativa, O Retorno,  o autor tenta mais uma vez tentar ligar todas as histórias como se tivéssemos passado por grandes experiências idílicas ou um grande épico na misteriosa Praga e seu rio Moldávia (argh – esta foi a palavra mais repetida em todo livro) mas que no fundo não são nada maior que uma história de sacanagem. O maior problema do livro acaba sendo a maneira qual ele é vendido e esta indecisão de se tratar de apenas um simples livro de contos eróticos ou “uma indagação de caráter metafísico”. Entre os dois, não fica duvida que se trata do primeiro caso.

Mas prefiro dar voz ao próprio autor para uma exposição mais justa:

“e ela me recebeu abrindo o sexo, que depois se fechou no meu pau

*grifo meu; notem o cafona “sexo” paulocoelhiano seguido de um repentino “pau”. Ora, Sérgio, o nome disso é boceta!

Anúncios

Marcado:, , , , , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

O que é isso?

Você está lendo no momento Narrativas de sexo e arte – o livro de praga no Leonardo Bandeira.

Meta

%d blogueiros gostam disto: